A FUSÃO É O MITO MAIS PERIGOSO DO AMOR | AMAR COM LUCIDEZ

Fusão é o mito mais perigoso do Amor
Crescemos a ouvir que amar é “tornarmo-nos num só”. Metades da laranja. Almas gémeas. “Sem ti não sou nada.”No imaginário romântico parece bonito, mas, do ponto de vista relacional, pode ser estruturalmente perigoso.
Quando a identidade não está suficientemente consolidada, o vínculo deixa de ser um encontro entre duas pessoas inteiras e transforma-se numa fusão.
E na fusão algo subtil começa a acontecer. Os limites tornam-se difusos, os valores começam a ser negociados em silêncio, a necessidade pode disfarçar-se de profundidade e o medo começa, pouco a pouco, a decidir por nós.
Chamamos a isto de intensidade, mas, muitas vezes, trata-se apenas de fragilidade identitária.
A fusão não é uma proximidade madura, mas sim uma tentativa de garantir segurança através da dissolução do próprio eu e o preço pode ser elevado.
Quando não sabemos quem somos fora da relação, qualquer discordância soa a rejeição. Qualquer diferença parece uma ameaça. Qualquer limite pode ser interpretado como afastamento.
Então, cedemos para não perder ou reagimos para não desaparecer.
Mas identidade não é rigidez. É coerência.
É saber:
- o que valorizo
- o que não negoceio
- o que é meu e o que pertence ao outro
- onde termino o “eu” e começa o “outro”
Diferenciação é a capacidade de manter essa coerência mesmo quando existe proximidade emocional. É conseguir amar sem desaparecer dentro da relação.
O amor adulto não é fusão. É diferenciação com vínculo. É conseguir dizer “amo-te” sem que isso signifique abdicar de si. É precisar do outro sem deixar de se pertencer.
Talvez o problema nunca tenha sido amar demasiado. Talvez nunca nos tenham ensinado a existir dentro de uma relação sem deixar de existir em nós próprios.
Deixo-lhe uma pergunta simples:
Consegue discordar de quem ama, sem sentir que a relação está em risco?
Fátima Gouveia
Maturidade Relacional | Literacia Afetiva
Maturidade Relacional | Literacia Afetiva


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