QUANDO DISCORDAR PARECE PERIGOSO | AMAR COM LUCIDEZ

Quando alguém pensa de forma diferente, o seu corpo relaxa ou prepara-se para se defender?
Há momentos mais sensíveis numa relação que parecem pequenos. Tão pequenos que, à primeira vista, quase passam despercebidos:- Uma conversa ao final do dia.
- Uma opinião diferente.
- Uma decisão simples.
- Uma perspetiva que não coincide com a sua.
Mas, mesmo assim, algo no corpo contrai-se. O peito aperta, a respiração encurta, a mandíbula fica mais tensa, a mente acelera.
E, de forma quase automática, porque, internamente, essa experiência não é vivida como algo natural, surge uma sensação difícil de explicar: “e se isto nos afastar?” E é aqui que muitas pessoas acreditam estar a reagir ao comportamento do outro. Mas, na maioria das vezes, não estão.
Na maioria das vezes, as pessoas estão a reagir ao significado interno que aquela diferença desperta, porque, para o sistema nervoso, esta diferença que interpretamos, nem sempre significa apenas diferença. Por vezes, significa risco, receio de afastamento, de rejeição e de perder a ligação.
E esta sensação raramente começa na relação atual, começa muito antes, nomeadamente em experiências antigas, onde a proximidade e a segurança nem sempre caminharam juntas.
Quando as experiências são marcantes
Muitas destas experiências costumam ser muito marcantes, precisamente quando a diferença, numa dada altura, originou conflito, ou quando a manifestação de uma necessidade provocou tensão e a atitude de discordar trouxe distância emocional.
Quando o nosso sistema aprende isto cedo, guarda essa informação e, quando surge algo idêntico, assumimos isso como um risco grave que estamos a correr.
Nestes momentos, o corpo pode reagir, antes mesmo da mente conseguir interpretar o que está a acontecer e é neste momento que a dinâmica relacional começa a mudar.
Esta mudança pode ser observada da seguinte forma:
Quando o nosso sistema aprende isto cedo, guarda essa informação e, quando surge algo idêntico, assumimos isso como um risco grave que estamos a correr.
Nestes momentos, o corpo pode reagir, antes mesmo da mente conseguir interpretar o que está a acontecer e é neste momento que a dinâmica relacional começa a mudar.
Esta mudança pode ser observada da seguinte forma:
- Em vez de presença, surge proteção.
- Em vez de curiosidade, surge a defesa.
- Em vez de escuta, surge a antecipação.
- Muda-se de assunto.
- Minimiza-se aquilo que se sente.
- Concorda-se para evitar tensão.
- Intensifica-se o debate até que a conversa se transforme em confronto.
Relações Maduras
As relações maduras não são relações sem tensão, não são relações onde duas pessoas pensam sempre da mesma forma e também não são relações onde nunca existe desconforto.
Relações maduras são relações onde a tensão pode existir, sem desorganizar o vínculo, onde duas pessoas conseguem continuar presentes, mesmo quando não estão alinhadas. E isto não depende apenas do outro, depende, em grande parte, da capacidade de cada pessoa em sustentar a própria experiência interna, sem colapsar perante a diferença.
Depende, igualmente, da confiança e da certeza que temos sobre a nossa identidade, pois quando a identidade não está suficientemente consolidada, vemos a diferença como algo grave que deixa a nossa relação em risco.
Nesse momento, começamos a sentirmo-nos em perigo: perigo de afastamento, perigo de rejeição, perigo de perda. E é aqui que muitas relações começam, subtilmente, a fragilizar-se, não pela intensidade do conflito, mas pela incapacidade de o atravessar com estabilidade interna.

Relações maduras são relações onde a tensão pode existir, sem desorganizar o vínculo, onde duas pessoas conseguem continuar presentes, mesmo quando não estão alinhadas. E isto não depende apenas do outro, depende, em grande parte, da capacidade de cada pessoa em sustentar a própria experiência interna, sem colapsar perante a diferença.
Depende, igualmente, da confiança e da certeza que temos sobre a nossa identidade, pois quando a identidade não está suficientemente consolidada, vemos a diferença como algo grave que deixa a nossa relação em risco.
Nesse momento, começamos a sentirmo-nos em perigo: perigo de afastamento, perigo de rejeição, perigo de perda. E é aqui que muitas relações começam, subtilmente, a fragilizar-se, não pela intensidade do conflito, mas pela incapacidade de o atravessar com estabilidade interna.

Maturidade Relacional
A maturidade relacional manifesta-se, precisamente, na capacidade de permanecer, na capacidade de escutar, sem se fundir. Mas também na facilidade de transmitir o que pensamos ou sentimos, sem atacar e manter a posição, sem romper o vínculo.
A maturidade relacional implica, sobretudo, a capacidade de continuar inteiro, mesmo quando o outro pensa de forma diferente, porque amar não é concordar em tudo. Amar também é conseguir sustentar aquilo que nos separa, sem transformar essa diferença numa ameaça.
E talvez não seja a intensidade que determina a qualidade de uma relação. Talvez seja a forma como lidamos com aquilo que nos diferencia.
Hoje deixo-lhe uma questão: quando surge a diferença, aproxima-se para compreender ou afasta-se para se proteger?
Se esta reflexão fizer sentido para si, será interessante conhecer a sua perspetiva.
E talvez não seja a intensidade que determina a qualidade de uma relação. Talvez seja a forma como lidamos com aquilo que nos diferencia.
Hoje deixo-lhe uma questão: quando surge a diferença, aproxima-se para compreender ou afasta-se para se proteger?
Se esta reflexão fizer sentido para si, será interessante conhecer a sua perspetiva.
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— Fátima Gouveia
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