IDENTIDADE RELACIONAL - QUEM ESCOLHO SER QUANDO AMO? | AMAR COM LUCIDEZ
Amar não é apenas encontrar a pessoa certa. É decidir quem escolhemos ser numa relação.
- Diferenciação e fusão.
- Compatibilidade e intensidade.
- Responsabilidade e culpa.
- Regulação emocional, escolha consciente e maturidade relacional.
Muitas pessoas passam grande parte da vida a perguntar-se:
- "Quem será a pessoa certa para mim?"
- "Quem preciso de encontrar para finalmente viver uma relação segura?"
- "Quem me poderá fazer sentir amado(a)?"
Esta mudança de perspetiva transforma profundamente a forma como vivemos as relações. Porque a qualidade dos nossos vínculos não depende apenas das pessoas que encontramos pelo caminho. Depende também da pessoa que nos tornamos dentro desses vínculos.

A Identidade Relacional não surge automaticamente quando encontramos a pessoa certa.
A identidade relacional não é algo que simplesmente se descobre e não surge automaticamente quando encontramos a pessoa certa. Constrói-se ao longo do tempo, através das escolhas que fazemos, da forma como lidamos com o conflito, com a diferença, com a vulnerabilidade e com a proximidade.Quando começamos a construir esta identidade relacional, algo muda na forma como nos posicionamos dentro das relações. Passamos a procurar compreender antes de atacar. Aprendemos a regular as emoções antes de reagir impulsivamente. Conseguimos aceitar a diferença, sem a viver como ameaça e começamos a escolher conscientemente aquilo que queremos construir, em vez de agir apenas por dependência emocional.
Estas decisões e atitudes não são imediatas, exigem um trabalho interno profundo. Isto porque muitas das respostas que levamos para as relações não foram escolhidas conscientemente. Mas sim, apreendidas.
Grande parte destas respostas foi apreendida muito antes de termos consciência disso. Foram sendo construídas através da história familiar, das experiências de infância, das relações que observámos e das perdas, rejeições ou necessidades emocionais que ficaram por resolver.
Por via destas vivências, muitas vezes, entramos numa relação sem perceber que continuamos a responder ao passado.
A maturidade relacional começa precisamente quando deixamos de perguntar apenas o que esperamos receber do outro e começamos a questionar aquilo que trazemos para a relação.
Porque amar com maturidade não é um traço de personalidade, não é um talento reservado a algumas pessoas, não é algo que simplesmente acontece.

A maturidade relacional não é um destino. É uma prática.
A maturidade relacional é uma prática diária, uma decisão repetida e uma construção contínua. Não se mede pela ausência de conflito, mas pela capacidade de sustentar a proximidade sem perder identidade. Pela capacidade de amar sem se abandonar, de permanecer ligado sem precisar de controlo e de tolerar a vulnerabilidade sem transformar a diferença numa ameaça.Por isso, é natural que as relações sejam muito mais do que um lugar onde procuramos amor. Talvez sejam também um espelho.
Um espelho que nos mostra aquilo que já desenvolvemos e aquilo que ainda precisamos de desenvolver. Um reflexo que revela as nossas forças, mas também os nossos padrões, os nossos medos e as nossas áreas de crescimento.
E talvez seja por isso que a pergunta final não seja sobre o outro. Talvez a pergunta mais importante seja esta: em quem nos estamos a tornar, através das nossas relações?
Se esta reflexão fez sentido para si, convido-o(a) a acompanhar outras reflexões sobre relações, identidade e maturidade emocional através do meu LinkedIn.
— Fátima Gouveia | Amar com Lucidez
— Fátima Gouveia | Amar com Lucidez


Comentários
Enviar um comentário